Para falar sobre a publicidade dirigida à criança é necessário referir a etapa do seu desenvolvimento.
Entender como a criança recebe e trata toda a informação que recolhe é importante para quem intervém no seu processo pessoal, educacional e social.
Todas as crianças nascem com a predisposição para aprender e para desenvolver, atravessa fases de dependência rumo à autonomia, até se tornar adulto e formar a sua própria identidade, construir-se como pessoa, portanto passa pelo processo de transformação, de maturação emocional e cognitiva.
Jean Piaget elaborou um esquema sobre os diferentes estágios do desenvolvimento cognitivo.
O estágio sensório motor abrange dos 18 meses aos dois anos de idade. Nesta primeira fase, a aproximação da criança com o mundo baseia-se nas ações e movimentos (tocar e ser tocado,olhar,escutar e fazer sons, saborear,cheirar). No final desta etapa da sua vida, devido à sua capacidade de locomução, a criança já é capaz de interpretar certos indícios. Durante este estágio, o seu desenvolvimento, requer estímulos de toques, texturas e sons de quem lhe fala diretamente, treino de relações e limites físicos entre ela e outras crianças e adultos. Deixá-la em frente de uma televisão, como primeira escolha para "distraí-la", significa ir em direção contrária ao que ela necessita, já que precisa nesta fase essencialmente de contacto com outras pessoas.
Dos 2 aos 6 anos a criança desenvolve novas capacidades como a linguagem e começa a realizar progressos no desenho, actividades práticas e comunicação com os outros. Ela tenta satisfazer as suas curiosidades com novas experiências e cria ou inventa coisas. Se passar horas em frente a uma televisão, a criança perde a oportunidade de estimular a sua imaginação e terá em falta o processo de interação.
A partir dos 7 anos até aos 11 passa a ser relevante a capacidade de formar conceitos. Por exemplo descobre a noção de números, de quantidades e pesos.
Desde aí a criança já é capaz de entender as relações de causa e efeito. Começam a aparecer os primeiros sentimentos morais. No início, é uma moral de obediência aos adultos e depois vem um sentimento novo, que consiste no respeito mútuo. Aqui a criança estipula os seus próprios valores éticos, que impõe como normas, valores e conceitos que servirão como pontos de referência para as regras dadas pelo adulto. Observa o justo e o injusto. Nessa etapa, tem plena consciência das contradições dos adultos. É fundamental, nesse momento, que a criança tenha oportunidades de se exercitar na formação desses valores éticos, assumindo formas de protagonismo e de participação espontânea. Nesse sentido, a televisão volta a ser uma referência importante.
O amadurecimento da criança depende do contacto com novas experiências, do confronto com algo já existente na sua memória com coisas novas que vai adquirindo. Através das suas novas experiências aprende a resolver problemas, a explorar a realidade e a usar a capacidade de refletir.
A compreensão da criança sobre algo depende do avanço do seu desenvolvimento cognitivo. A interpretação das suas experiências depende do grau de evolução das suas estruturas de pensamento.
De acordo com o artigo podemos concluir que é uma mensagem que deveria chegar ao público em geral, pois fala-nos de algo que afeta todas as crianças sem darmos conta do perigo a que elas estão expostas, sendo que apenas em excesso ou a proibição total seja assim considerado.
Como podemos ler no artigo, muitas das crianças da União Europeia, mais especificamente Espanha, seguido de Portugal veem aproximadamente 4 horas de televisão por dia, o que resulta de duas mil mensagens publicitárias por semana.
Esta subcarga pode levar a comportamentos desviantes, hábitos incorretos e a uma rotina diária pouco favorável ao desenvolvimento da criança, pois esta bem estruturada significa uma segurança e um bem-estar, levando esta a saber o que lhe espera no momento a seguir. As crianças devem desenvolver relações interpessoais com outras de maneira a que possam aumentar o seu campo emocional, afetivo, social e cognitivo através de experiências reais do seu universo familiar e comunitário. Uma criança até aos 12 anos não consegue distinguir o mundo real, da ficção dai ser importante o contato direto e real com outras crianças ao invés de uma tarde a ver televisão.
Mais importante que ter uma ‘baby-sitter universal interativa’ são as vivências com a sociedade.
Concordamos que o tempo destinado a ver televisão, deverá ser organizado de acordo com o tempo de lazer, incluindo outras atividades práticas, convívio, brincadeiras ao ar livre, etc, na vida da criança.
ISEC
LEB - 1º ano
Diana Rodrigues
Flávia Andrade
Inocência Oliveira
Vanessa Lopes
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