quarta-feira, 1 de abril de 2015

“Momo” de Michael Ende

image“ O que a pequena Momo sabia, como ninguém era: ouvir. (…) Momo sabia ouvir de tal modo que pela cabeça das pessoas passavam ideias muito acertadas. Não porque ela dissesse ou perguntasse algo que levasse os outros a pensar assim, não, limitava-se a estar sentada e a ouvir com toda a atenção e toda a sua participação. Enquanto isso ficava, observava os outros através dos seus grandes olhos escuros e o atingido sentia fluir ideias que nunca sonhava poder vir a ter.

Sabia ouvir de tal modo que pessoas desesperadas e indecisas descobriram de repente o que queriam. Ou que os tímidos se sentiam de um momento para o outro livres e corajosos. Ou que infelizes e oprimidos se tornavam alegres e confiantes. E quando alguém sentia que a sua vida era um perfeito fracasso, sem significado e que ele próprio era apenas um entre milhões, um que não tem qualquer importância e que pode facilmente ser substituído como uma panela rota, percebia então, ainda enquanto falava, como estava profundamente errado, que só existia um como ele, uma única vez, entre todos os homens e que por isso o seu modo de ser era realmente importante para o mundo.

Era assim que Momo sabia ouvir.”

(Ende, Michael, Momo, Editorial Presença, Porto, 1984, p.16-21)


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